
Na reunião de 23 de julho, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juro de referência sem alterações. Uma pausa — mas que pode ser apenas temporária.
As taxas atuais do BCE
Após a subida de junho (a primeira em quase três anos), os valores ficam nos seguintes níveis:
| Taxa | Valor atual |
|---|---|
| Facilidade permanente de depósito | 2,25% |
| Operações principais de refinanciamento | 2,40% |
| Facilidade permanente de cedência de liquidez | 2,65% |
O que disse o BCE
Em comunicado, o conselho liderado por Christine Lagarde reafirmou que a política monetária continuará a ser definida "reunião a reunião", dependente dos dados disponíveis em cada momento. Sem compromisso com uma trajetória específica — a frase habitual, mas que desta vez deixa a porta aberta a ajustes em breve.
Setembro em foco
A manutenção em julho não surpreendeu os mercados. O que divide os especialistas é o que acontece a seguir.
De acordo com um painel de economistas consultado pela Reuters, 70% acredita que o BCE voltará a subir juros na reunião de setembro, marcada para os dias 9 e 10. A minoria — onde se inclui David Kohl, economista-chefe do Julius Baer — defende que o banco central não mexe mais nas taxas em 2026 e só deverá fazê-lo no final de 2027.
A inflação ainda preocupa
O principal motivo para possíveis subidas adicionais é a inflação, que continua acima do objetivo de 2% do BCE. Em junho, a inflação anual na Zona Euro situou-se nos 2,8% — ainda acima do alvo, apesar de ter abrandado face aos 3,2% de março.
Os preços da energia continuam a ser o maior impulsionador, com uma taxa anual de 8,5% em junho, muito acima dos restantes componentes. O BCE reconhece que "o impacto inflacionista total do choque energético ainda não se fez sentir" e que está a acompanhar de perto os efeitos do conflito no Médio Oriente nos preços do petróleo.
O que significa para o seu crédito habitação
Se tem um crédito habitação a taxa variável (indexado à Euribor), o nível atual das taxas do BCE já se reflete nas prestações mensais. Uma eventual subida em setembro traduzir-se-ia num novo aumento da Euribor e, consequentemente, da sua prestação.
Se está a ponderar contratar crédito habitação nos próximos meses, o momento e o tipo de taxa que escolher fazem diferença. Uma taxa mista ou fixa pode protegê-lo de novas subidas — mas cada caso é diferente.
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